
Ontem tive o prazer de assistir o filme Capitães da Areia e já no decorrer do filme um post (inteligente e sarcástico) que um amigo fez aqui no facebook sobre o Cinema Brasileiro e sobre as mazelas do Brasil não saia de minha cabeça, foi assim: “Estou preocupado com o cinema brasileiro. Agora com as "Unidades Pacificadoras" nas favelas do Rio, que tipo de filme vamos "exportar"? Será o fim do cinema nacional?”... se pensarmos que o cinema nacional aborda apenas as mazelas do Brasil, não... não vamos deixar de exportar nossos filmes, infelizmente nosso País não é rico somente em belezas naturais, mas também somos ricos em mazelas... e o filme Capitães da Areia aborda esses dois temas: nossa belezas, seja elas naturais ou culturais e sim, nossas mazelas.
O filme é baseado na obra literária do escritor Jorge Amado, obra esta, que dá nome ao filme, e que é muito bem dirigido por Cecília Amado, neta do escritor, e que tem nesse filme a sua estréia na direção de longas metragens. O filme conta a historia de garotos abandonados (Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida, Dora entre outros) e que se vêem obrigados a lutar para sobreviver pelas ruas de Salvador na década de 30, o filme mostra com delicadeza e maestria as dificuldades desse grupo de meninos de rua.
Mesmo sendo uma tarefa muito difícil, por transpor para as telas a densidade do texto de Jorge Amado, que consta com características políticas, religiosas, sociais, personagens marcantes e com uma geografia particular, Cecília Amado não deixa a desejar e consegue colocar no ecrã a atmosfera da texto brilhantemente. Mesmo quando tem que ser politicamente correta, sua direção se mostra sutil, vemos jovens se entregarem a bebidas, cigarro, sexo (que beira a suavidade e a necessidade) de uma forma não agressiva, e sim de habitual no enredo da história...
A fotografia é algo de tirar o chapéu, já que na tela os contrapontos de corres (peles negras e roupas brancas), misturadas com o sol forte e intenso da Bahia e as corres de outros objetos mais evidentes se misturam de uma forma bela e deixando o ambiente fotográfico perfeito. Vide a cena em que os meninos estão no casebre abandonado (que mais parece uma grande fabrica abandonada) lamentando a morte de um deles, e a câmera faz um traveling sutil mostrando quase que somente a silhueta dos meninos em diversos pequenos grupos em pontos espalhados do casebre, todos eles contra o vento e de fundo o azul do céu e a luz que entra pelas frestas do casebre... assim como uma outra cena também muita linda e lúdica, a cena do carrossel onde os Capitães se divertem como crianças banhados pelas luzes das lâmpadas do carrossel...
A trilha é composta por Carlinhos Brown, trilha esta, que na maioria das vezes ajuda muito, principalmente nas cenas de Capoeira e principalmente na seqüência da luta entre as gangues na velha estação de trem abandonada.
É incontestável o longa de Cecília Amado... são nossas mazelas e nossas belezas e principalmente, nossa arte e nossa cultura prontas para serem exportadas... fica a dica.
Alessandro Veloso
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