
CAMPO DOS SONHOS (Critica recomendada pelo site epipoca)
“If you build it, he will come” (Se você construir, ele virá). Através desta simples e inofensiva frase se constrói um mundo. Tudo depende da interpretação de cada um, do ponto de vista de cada leitor/telespectador, foi o que vez W.P Kinsella em seu livro “Shoeless Joe” e Phil Alden Robinson passou para a tela com uma mágica incrível. Uma história linda repleta de amor, dedicação, humor e principalmente lições.
Um colega disse um dia que para ele ficar duas horas em frente a uma tela ou uma televisão vendo um filme, este filme tem que lhe ensinar ou lhe passar mais ou pelo menos a mesma coisa que ele deveria estar tendo fora dali, o filme tem que ensinar algo, fazer chorar, sorrir, ou qualquer coisa do tipo, ele não pode sair dali sem nenhuma reação causada pelo filme. Se eu levar em consideração o que este meu amigo me disse (que na realidade muitas vezes eu levo) este filme é mesmo perfeito, nele eu chorei, sorri, aprendi e em especial sonhei... sonhei como a muito tempo eu não fazia. Não que o filme tenha mostrado os mesmos sonhos que eu já tive, mas sim pelo fato do filme Ter dado liberdade para sonhar, me mostrou novamente a “receita”...
Mas uma vez vou usar uma citação para descrever algo do filme. Teóricos do cinema dizem que o filme e/ou roteiro tem que cativar você nos primeiros minutos do filme, em suma, tem que tirar você da pipoca e deixar você só no filme. E é o que Campo dos Sonhos faz, o filme deixa a pipoca mochar em suas mãos, não te dando oportunidade para você voltar a prestar atenção na pipoca.
O filme poderia ser um “grande” curta metragem se só usados os primeiros dezesseis minutos de filme, neles acontecem tudo que em muitos outros filmes levariam duas horas para contar só na base do “enchendo lingüiça”. O começo tem a narração de Ray Kinsella contando a vida e sonhos de seu pai, a perca da mãe, a sua infância, a faculdade nos anos “paz e amor” e “faça amor, não faça guerra” (1960), o casamento e a decisão depois da faculdade virar um simples fazendeiro. Tudo isso com fotos antigas, jornais e vídeos amadores. Enfim você nos três a quatro minutos de filme já sabe quem é quem e aonde se passa tudo. E nos próximos 10 a 12 minutos o écran se enche de belas imagens, demonstrações de amor, confiança, saudades e sonhos até o ápice do primeiro poot point (ponto de virada) o tão esperado campo de beisebol construído.
A seqüência em que o campo já está terminado e Ray e sua esposa estão deitados nele “contemplando” o feito é maravilhosa... mas você se engana se pensa que esta é a única “seqüência maravilhosa” que aparece no filme, existem muitas outras... é ver para crer!!
Após a seqüência descrita acima, vem algumas conseqüências (ou melhor dizendo outras vozes) que levam o filme sempre adiante, e a gente por diversas vezes pensa: “Agora não tem mais para onde ir!!” ou “Não tem mais o que inventar!!”... mas com um roteiro perfeito (concorreu o Oscar em 1990, mas perdeu para o também maravilhoso Alfred Uhry de Conduzindo Miss Daisy), estes nossos pensamentos vão por água a baixo. Um roteiro muito bem amarrado, e muito bem escrito dando espaços para brincadeiras com um dos maiores filmes do cinema mundial Cidadão Kane (Orson Welles) e um humor inteligente. Com tudo isso esta adaptação é digna de louvor.
Não posso deixar de ressaltar que existe sim clichês, mas tão bem escritos e interpretados que em nada compromete, dando um tom de humor e drama em doses exatas.
A fotografia é linda, acho até que caberia pelo menos uma indicação ao Oscar. Principalmente nas cenas externas, em todas em que aparecem o céu, ele sempre está maravilhoso (na realidade ele é) seja de dia ou de noite, sempre muito azul e em diversas vezes com tonalidades e nuvens muito parecidos com sonhos. Parabéns para John Lindley.
A trilha sonora concorreu ao Oscar mas perdeu para Alan Menken de A Pequena Sereia, realmente é muito bonita e mereceu a indicação mas eu achei em excesso no filme. Em quase todas as cenas e seqüências tem uma música (bonita) mas demais cansa né?! Deixa poluído.
Agora, um das coisas que tem que ressaltar são as atuações. Excelentes. James Earl Jones, fabuloso... Ray Liotta, mais cativante do que nunca.... Burt Lancaster, um senhor... Amy Madigan, ótima... e Kevin Costner sem sombra de dúvida o melhor papel de sua vida, em Dança com Lobos ele foi fabuloso mas em Campo dos Sonhos ele é essencial.
Todos os filmes que assisto tento ter uma visão um pouco mais crítica, claro depois de ter tido prazer (ou não) com ele os vejo em partes e tento descreve-los também em partes como sempre faço. Mas com Campo dos Sonhos acorreu um pouco diferente, me deixei lavar e depois te ter opinião formada em relação a nota do filme que fui ver ser tinha técnica ou não. Antes de assistir o filme um amigo me mandou um e-mail com a crítica do Pablo Villaça e ele agiu mais ou menos assim. Acho até que fui um pouco influenciado pela crítica, no que se diz respeito em se deixar levar pelo filme e não se preocupar com os “por ques”. E é por este motivo que coloco este filme entre os melhores que eu já vi, não pelo “simples fato” de ter diversas qualidades cinematográficas mas também porque me identifiquei muito com o filme e hoje mais uma vez tenho certeza que “Deus escreve certo por linhas certas”, um filme de 1989 com algumas indicações ao Oscar (Filme, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora) e eu que assisto muito filmes nunca tinha ouvido falar nele, um dia sem mais nem menos recebo uma indicação e este foi o momento certo de tê-lo assistido, o momento em que mais sonho...
Enfim, se estas últimas palavras servem de consolo ou quem sabe algum tipo de inspiração (sendo sim pretensioso) se eu fosse você não deixaria de assistir este maravilhoso filme.
“Inacreditável
É mais que isso.... é perfeito!!!”
Avaliação: 10,0 por Alessandro Veloso 13/05/03
“If you build it, he will come” (Se você construir, ele virá). Através desta simples e inofensiva frase se constrói um mundo. Tudo depende da interpretação de cada um, do ponto de vista de cada leitor/telespectador, foi o que vez W.P Kinsella em seu livro “Shoeless Joe” e Phil Alden Robinson passou para a tela com uma mágica incrível. Uma história linda repleta de amor, dedicação, humor e principalmente lições.
Um colega disse um dia que para ele ficar duas horas em frente a uma tela ou uma televisão vendo um filme, este filme tem que lhe ensinar ou lhe passar mais ou pelo menos a mesma coisa que ele deveria estar tendo fora dali, o filme tem que ensinar algo, fazer chorar, sorrir, ou qualquer coisa do tipo, ele não pode sair dali sem nenhuma reação causada pelo filme. Se eu levar em consideração o que este meu amigo me disse (que na realidade muitas vezes eu levo) este filme é mesmo perfeito, nele eu chorei, sorri, aprendi e em especial sonhei... sonhei como a muito tempo eu não fazia. Não que o filme tenha mostrado os mesmos sonhos que eu já tive, mas sim pelo fato do filme Ter dado liberdade para sonhar, me mostrou novamente a “receita”...
Mas uma vez vou usar uma citação para descrever algo do filme. Teóricos do cinema dizem que o filme e/ou roteiro tem que cativar você nos primeiros minutos do filme, em suma, tem que tirar você da pipoca e deixar você só no filme. E é o que Campo dos Sonhos faz, o filme deixa a pipoca mochar em suas mãos, não te dando oportunidade para você voltar a prestar atenção na pipoca.
O filme poderia ser um “grande” curta metragem se só usados os primeiros dezesseis minutos de filme, neles acontecem tudo que em muitos outros filmes levariam duas horas para contar só na base do “enchendo lingüiça”. O começo tem a narração de Ray Kinsella contando a vida e sonhos de seu pai, a perca da mãe, a sua infância, a faculdade nos anos “paz e amor” e “faça amor, não faça guerra” (1960), o casamento e a decisão depois da faculdade virar um simples fazendeiro. Tudo isso com fotos antigas, jornais e vídeos amadores. Enfim você nos três a quatro minutos de filme já sabe quem é quem e aonde se passa tudo. E nos próximos 10 a 12 minutos o écran se enche de belas imagens, demonstrações de amor, confiança, saudades e sonhos até o ápice do primeiro poot point (ponto de virada) o tão esperado campo de beisebol construído.
A seqüência em que o campo já está terminado e Ray e sua esposa estão deitados nele “contemplando” o feito é maravilhosa... mas você se engana se pensa que esta é a única “seqüência maravilhosa” que aparece no filme, existem muitas outras... é ver para crer!!
Após a seqüência descrita acima, vem algumas conseqüências (ou melhor dizendo outras vozes) que levam o filme sempre adiante, e a gente por diversas vezes pensa: “Agora não tem mais para onde ir!!” ou “Não tem mais o que inventar!!”... mas com um roteiro perfeito (concorreu o Oscar em 1990, mas perdeu para o também maravilhoso Alfred Uhry de Conduzindo Miss Daisy), estes nossos pensamentos vão por água a baixo. Um roteiro muito bem amarrado, e muito bem escrito dando espaços para brincadeiras com um dos maiores filmes do cinema mundial Cidadão Kane (Orson Welles) e um humor inteligente. Com tudo isso esta adaptação é digna de louvor.
Não posso deixar de ressaltar que existe sim clichês, mas tão bem escritos e interpretados que em nada compromete, dando um tom de humor e drama em doses exatas.
A fotografia é linda, acho até que caberia pelo menos uma indicação ao Oscar. Principalmente nas cenas externas, em todas em que aparecem o céu, ele sempre está maravilhoso (na realidade ele é) seja de dia ou de noite, sempre muito azul e em diversas vezes com tonalidades e nuvens muito parecidos com sonhos. Parabéns para John Lindley.
A trilha sonora concorreu ao Oscar mas perdeu para Alan Menken de A Pequena Sereia, realmente é muito bonita e mereceu a indicação mas eu achei em excesso no filme. Em quase todas as cenas e seqüências tem uma música (bonita) mas demais cansa né?! Deixa poluído.
Agora, um das coisas que tem que ressaltar são as atuações. Excelentes. James Earl Jones, fabuloso... Ray Liotta, mais cativante do que nunca.... Burt Lancaster, um senhor... Amy Madigan, ótima... e Kevin Costner sem sombra de dúvida o melhor papel de sua vida, em Dança com Lobos ele foi fabuloso mas em Campo dos Sonhos ele é essencial.
Todos os filmes que assisto tento ter uma visão um pouco mais crítica, claro depois de ter tido prazer (ou não) com ele os vejo em partes e tento descreve-los também em partes como sempre faço. Mas com Campo dos Sonhos acorreu um pouco diferente, me deixei lavar e depois te ter opinião formada em relação a nota do filme que fui ver ser tinha técnica ou não. Antes de assistir o filme um amigo me mandou um e-mail com a crítica do Pablo Villaça e ele agiu mais ou menos assim. Acho até que fui um pouco influenciado pela crítica, no que se diz respeito em se deixar levar pelo filme e não se preocupar com os “por ques”. E é por este motivo que coloco este filme entre os melhores que eu já vi, não pelo “simples fato” de ter diversas qualidades cinematográficas mas também porque me identifiquei muito com o filme e hoje mais uma vez tenho certeza que “Deus escreve certo por linhas certas”, um filme de 1989 com algumas indicações ao Oscar (Filme, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora) e eu que assisto muito filmes nunca tinha ouvido falar nele, um dia sem mais nem menos recebo uma indicação e este foi o momento certo de tê-lo assistido, o momento em que mais sonho...
Enfim, se estas últimas palavras servem de consolo ou quem sabe algum tipo de inspiração (sendo sim pretensioso) se eu fosse você não deixaria de assistir este maravilhoso filme.
“Inacreditável
É mais que isso.... é perfeito!!!”
Avaliação: 10,0 por Alessandro Veloso 13/05/03

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