segunda-feira, 9 de março de 2009

CRITICA DO FILME: O PODEROSO CHEFÃO II



O PODEROSO CHEFÃO II

O Poderoso Chefão (parte II) é sem dúvida o melhor da trilogia. Este é muito mais encorpado e muito mais cativante, diria que esta continuação dá “nomes ao bois”.
A história conta como “nasceu” a família e o império dos Corleones (neste filme é mostrado a origem do sobrenome Corleone), fazendo um paralelo entre a continuação do primeiro filme aonde Michael “tenta” consolidar o seu poder e a chegada do pequeno Vito à America. E o que é mais importante, diria até que é o ponto mais alto do filme, as duas histórias são brilhantemente contada sem embolar e sem deixar lacunas.
Um filme que dá prazer do primeiro “frame” ao último, a bela música de Nino Rota conduz a saga, as atuações são perfeitas, o cenário e a fotografia excelentes. Não é à toa que é a única seqüência a ganhar o Oscar de Melhor Filme.
O filme mais premiado da trilogia com seis Oscares: Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante – Robert De Niro – Direção de Arte, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora. E ainda recebeu mais cinco indicações: Melhor Ator (Al Pacino) que perdeu para Art Carney (O Amigo de Tonto), Melhor Atriz Coadjuvante (Talia Shire) que perdeu para a “fenomenal” Ingrid Bergman (Assassinato no Expresso no Oriente),
Melhor Ator Coadjuvante (Michel V. Gazzo e Lee Strasberg) que perdeu para o companheiro Robert De Niro (curioso que neste ano na categoria Ator Coadjuvante o Poderoso Chefão II teve três indicações) e Melhor Figurino.
A fotografia foi motivo de discussão na boca de determinados críticos que tiveram a “coragem” de dizer que a fotografia é muito escura. Não é possível que disseram isso. Primeiro que eles dizendo isso e discutindo do jeito que foi discutido dá até para imaginar que a fotografia do filme é horrível, que não dá pra ver nada!! E não é tão escura como alguns “renomados” críticos disseram; segundo, o tom é sim um pouco fosco, creio que isso ocorre para dar maior lirismo aos closes e até nas imagem externas (vide a cena da vingança de Vito matando Don Ciccio) e nas internas (vide cena do pequeno Vito cantando sentado na cadeira em frente a janela). Afinal o filme pede este tipo de fotografia, não vi tanta diferença nas fotografias dos três filmes, achei até esta do segundo muito mais apropriada. Não é possível que as pessoas não notaram que é um filme sobre gangsters... vocês já viram filmes de gangsters com fotografia clara?? Acho que não né?? Exemplos: Scarfase, Os Bons Companheiros e um mais recente Estrada Para Perdição. Neste último sim eu senti a fotografia um pouco mais escura, mas o filme exigia isso e no entanto foi o ganhador do Oscar de Melhor Fotografia (Conrad L. Hall).
As atuações foram perfeitas, admiro Al Pacino não ter ganho nenhum Oscar por suas atuações na trilogia e principalmente nesta parte II, deveria Ter ganho (na minha opinião) mas o Show foi mesmo do Robert De Niro que até então não tinha feito nenhum filme de muita expressão e que dois anos depois (1976) estaria fazendo um dos seus melhores filmes Taxi drive. De Niro soube muito bem como continuar a expressar a forma que Marlon Brando deu ao personagem Don Corleone. É incrível a aparência das atuações, digna de Oscar. Nas demais atuações palmas para Michel V. Gazzo, Lee Strasberg, John Cazale, Talia Shire e principalmente para Robert Durvall.
A história feita por Mario Puzzo e incrivelmente estruturada e muito bem amarrada, estive pensando em como resumir este filme em uma palavra e uma frase. A palavra que encontrei é política, pura, no seu melhor sentido (A habilidade no trato das relações humanas, com vista à obtenção dos resultados desejados; Astúcia, ardil, artifício, esperteza) e a frase arranquei do próprio filme; “Ambos fazemos parte da mesma hipocrisia”... Explico, o filme tem como um dos principais conflitos a preservação da família através de meios ilícitos, funciona como uma “empresa” familiar. Quer mais hipocrisia que isso??
De tudo o que mais me agradou no filme foi as belas cenas. Para não me estender muito vou citar apenas uma. O pequeno Vito acabara de chegar aos EUA, viera da Itália sem ninguém. Em um barco com imigrantes. Mãe, pai e irmão assassinados por um mafioso local. Ele é ainda uma criança, muito magro e com problemas. E mudo, nunca falou uma só palavra em todo a sua vida. Não fala nem o nome e por isso lhes dão um (Vito Corleone). Ele é colocado em um quarto aonde não há quase nada dentro dele, apenas uma cama, uma cadeira e uma janela. O pequeno garoto entra neste quarto iluminado apenas pelos raios de sol que adentram pela janela. Puxa a cadeira para frente da janela e sentado começa a cantar com a voz ainda tímida... essa cena é tudo de bom, é simplesmente linda!!
Se eu tivesse que recomendar um filme para alguém, digo alguém que já sabe o que é cinema (mesmo do modo intertenimento e diversão) eu com certeza recomendaria O Poderoso Chefão II.

Avaliação: 9,0 por Alessandro Veloso 30/04/03

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