terça-feira, 23 de junho de 2009

A SALA...


A SALA

Tudo começou na sala... ampla e bem decorada, um sofá bege de dois e três lugares muito confortante, daqueles com almofadas recheada de penas de alguma ave que quase nunca se sabe qual é, eles estavam divididos em dois cantos da sala, um encostado na parede de frente para a estante de marfim e o outro de costas com a janela que dava para a varanda formando assim um L, a janela estava um pouco aberta e as cortinas brancas acompanhavam o decote que a janela vazia. A parede de cor caramelo tinha um tom claro e nela destacava-se três quadros, um era uma obra não muito conhecida de realismo estonteante, outro com formas geométricas de um artista contemporâneo, era uma réplica de uma paisagem rural exposta no tapume do Museu de Louvre e o outro era o “Abaporu” pintado em 1928, não existia melhor lugar para esta obra a não ser naquela sala, pois ali a imaginação de nossa Vênus se sobressaia querendo liberdade para se expressar tal qual Tarsila.


A dona daquela sala sem dúvida era amante da arte, adorava quadros, de Caravaggio a Leonardo, de Picasso a Aleijadinho... ao lado da estante existia um livreiro também de marfim, aonde encontrava-se de Drummont a Dante, de Neruda a Pessoa, de Machado a Shakespeare. E na estante encontrava-se filmes, de Truffaut a Allen e de Felline a Kubrick e entre outros se vazia uma vasta coleção.


A noite estava agradável, o céu estrelado sem nenhuma nuvem possibilitando assim admirar toda a constelação e uma leve brisa entrava pela sala, a brisa fazia com que a cortina se elevasse de vez em quando indo parar somente no sofá que ficava perto. A luz da sala estava apagada e as únicas luzes que iluminavam o ambiente era de uma pequena luminária sobre uma banquetinha ao lado de um dos sofás e da brancura da noite luarenta que entrava pelo decote da cortina...


(...)


Alessandro Veloso

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